Pense em quantos cliques você precisa dar para realizar uma tarefa simples dentro de um sistema.
Para cadastrar um cliente, você acessa a aplicação, procura o módulo correto, clica em "Cadastrar", preenche o formulário e salva. Para consultar os indicadores da empresa, abre outro módulo, procura o dashboard, seleciona o período, ajusta os filtros e, finalmente, encontra a informação que precisava.
Agora imagine trocar tudo isso por duas solicitações:
"Cadastre esse cliente com as informações do contrato que acabei de receber."
"Como está o faturamento deste mês? Me mostre onde estamos abaixo da meta e o que mudou em relação ao mês passado."
Se o seu assistente de IA tivesse acesso autorizado ao sistema e pudesse executar essas tarefas por você, qual caminho escolheria?
Essa preferência por simplesmente pedir o que precisamos, em vez de navegar por diferentes telas, já começa a mudar nossa relação com a tecnologia. Ainda estamos nos primeiros passos dessa transformação, mas ela levanta uma questão importante para quem desenvolve ou vende software.
E se, no futuro, a qualidade de um software não estiver apenas na facilidade de utilizar sua interface, mas na possibilidade de não precisar utilizá-la?
Apesar do título chamativo, não estou falando do desaparecimento das telas, nem da morte do design. Uma boa interface continuará sendo importante, especialmente quando precisamos analisar informações, tomar decisões ou acompanhar processos. Mas há uma diferença entre precisar visualizar algo e ser obrigado a percorrer uma sequência de telas para conseguir realizar uma tarefa.
Durante décadas, a indústria de software investiu em tornar esses caminhos mais rápidos, intuitivos e agradáveis. Agora, a inteligência artificial começa a oferecer a possibilidade de eliminá-los em determinadas situações.
E essa mudança vai muito além da experiência do usuário. Ela pode alterar a arquitetura dos softwares, a maneira como os serviços são oferecidos e até a forma como as empresas conquistam seus clientes.
O software que ninguém precisa abrir
Existe um conceito que está ganhando espaço nas discussões sobre o futuro da tecnologia, especialmente no Vale do Silício: Headless Software.
O termo headless não é novo. Há anos existem arquiteturas que separam as funcionalidades de um sistema de sua interface visual. Plataformas de comércio eletrônico, gerenciadores de conteúdo e diversas aplicações empresariais já utilizam essa abordagem.
A diferença é que, com a chegada dos agentes de IA, essa separação ganha um propósito que antes não era tão evidente.
Tradicionalmente, desenvolvemos aplicações pensando em como uma pessoa vai utilizá-las. Criamos formulários para receber informações, botões para executar ações e dashboards para apresentar resultados. Mesmo quando o sistema possui uma API, muitas vezes ela é tratada como um recurso de integração, enquanto a interface continua sendo o principal produto entregue ao usuário.
Mas o que acontece quando essa pessoa passa a ter um agente de inteligência artificial capaz de realizar boa parte das operações por ela?
Nesse cenário, o software não precisa necessariamente apresentar uma tela para cada ação. Suas funcionalidades podem ser disponibilizadas diretamente para outros sistemas, incluindo agentes que atuam com as permissões e sob as orientações de seus usuários.
É importante não confundir isso com simplesmente adicionar um chatbot a uma aplicação tradicional.
Colocar uma caixa de conversa sobre um software que continua dependendo de dezenas de telas pode facilitar a experiência, mas não significa que sua arquitetura esteja preparada para uma operação verdadeiramente orientada a agentes.
Um sistema preparado para esse cenário precisa permitir que suas funcionalidades sejam acessadas de maneira estruturada e segura, sem depender exclusivamente da navegação visual.
As regras de negócio continuam existindo. O banco de dados, as validações, as permissões, os processos e a necessidade de uma boa arquitetura também.
A mudança está em quem, ou no que, passa a interagir com essas funcionalidades.
O software continua fazendo o trabalho. O que muda é que o usuário não precisa mais executar manualmente cada etapa para chegar ao resultado.
Seu agente pessoal vai utilizar os softwares por você
Para entender o alcance dessa transformação, precisamos falar dos Personal Agents, ou agentes pessoais de inteligência artificial.
Até pouco tempo atrás, a experiência mais comum com IA era relativamente simples: você fazia uma pergunta, recebia uma resposta e utilizava aquela informação para fazer alguma coisa.
Com os agentes, começamos a sair desse modelo.
Em vez de apenas explicar como realizar uma tarefa, eles podem utilizar ferramentas, acessar aplicações e executar operações em nome do usuário. Naturalmente, isso depende das permissões concedidas, das integrações disponíveis e do nível de autonomia permitido.
A Instinct, por exemplo, oferece um assistente pessoal com o qual é possível interagir por mensagens ou chamadas para solicitar atividades como organizar compras e reservas. O Grok Bot também explora esse modelo, oferecendo agentes com ambientes computacionais persistentes, capazes de utilizar aplicações e executar tarefas em várias etapas.
Pense no planejamento de uma viagem.
Hoje, esse processo normalmente envolve abrir diferentes aplicativos, pesquisar passagens, comparar hotéis, verificar a agenda, reservar transporte e organizar pagamentos. Mesmo com interfaces excelentes, você continua sendo responsável por coordenar todas essas operações.
Com um agente pessoal, a experiência pode ser bem diferente.
"Preciso estar no Rio de Janeiro na quinta-feira. Organize minha viagem, considere os compromissos da minha agenda e mantenha tudo dentro de um orçamento de R$ 2.000."
Um agente com as integrações adequadas pode consultar a agenda, pesquisar alternativas, comparar condições, organizar as reservas e solicitar sua aprovação nas etapas necessárias.
Perceba que a necessidade do usuário não mudou. Ele continua precisando viajar, respeitar um orçamento e chegar ao destino no horário certo.
O que muda é a quantidade de sistemas com os quais precisa interagir diretamente para resolver o problema.
E aqui surge uma consequência interessante para quem constrói tecnologia: se um agente está acessando diferentes serviços para atender às necessidades de uma pessoa, esses serviços precisam estar preparados para serem utilizados por ele.
Talvez o usuário nem saiba quais softwares foram envolvidos na execução daquela tarefa. Ele pediu um resultado, recebeu as opções e tomou as decisões necessárias.
Os softwares continuaram trabalhando, mas nos bastidores.
A próxima vitrine do seu negócio pode não ser uma vitrine
Até aqui, estamos falando principalmente de desenvolvimento de software. Mas essa transformação também interessa, e muito, a empresas que vendem produtos e serviços.
Imagine duas lojas que comercializam produtos semelhantes.
A primeira investiu bastante em sua presença digital. Possui um site visualmente impecável, fotografias profissionais, animações modernas e uma experiência de navegação cuidadosamente planejada.
A segunda possui uma interface mais simples, mas mantém um catálogo estruturado, preços atualizados, informações de estoque, condições de entrega e mecanismos que permitem a outros sistemas consultar e utilizar seus serviços.
Agora imagine que um consumidor peça ao seu agente pessoal:
"Encontre um presente de aniversário para minha mãe. Quero gastar até R$ 300, preciso que chegue até sexta-feira e prefiro produtos com boas avaliações."
O agente precisa encontrar produtos, comparar alternativas, conferir a disponibilidade, avaliar os prazos de entrega e identificar como realizar a compra.
A primeira loja pode ter exatamente o presente ideal. Mas, se suas informações estiverem difíceis de interpretar ou se o processo de compra depender de uma navegação complicada, o agente poderá encontrar obstáculos para concluir a tarefa.
Já a segunda loja, por oferecer informações estruturadas e mecanismos de integração, pode estar em uma posição mais favorável.
Isso não significa que agentes sejam incapazes de navegar por sites tradicionais. Muitos já conseguem utilizar navegadores, preencher formulários e clicar em botões. O problema é que essa navegação nem sempre será a forma mais eficiente ou confiável de interagir com um serviço.
A questão é que, por muito tempo, as empresas desenvolveram suas vitrines digitais pensando exclusivamente em como seriam encontradas e utilizadas por pessoas.
Agora precisam considerar outro tipo de interação.
Uma boa experiência para pessoas não garante, por si só, uma boa experiência para agentes de IA.
E, se o consumidor está delegando a busca ou a compra para um agente, a capacidade de conexão pode influenciar diretamente quais empresas serão consideradas.
Nesse cenário, ter um site bonito continua sendo uma vantagem. Mas ter um site bonito que também consegue conversar com agentes pode se tornar uma vantagem ainda maior.
Quando a Stripe começa a preparar o dinheiro para os agentes
Um dos sinais mais concretos de que essa transformação já está influenciando decisões importantes do mercado vem do setor financeiro.
Em 2025, as empresas que utilizavam a Stripe movimentaram aproximadamente US$ 1,9 trilhão pela plataforma, valor equivalente a cerca de 1,6% do PIB mundial.
US$ 1,9 trilhão
movimentados pela Stripe em 2025
Stripe, 2025
1,6%
do PIB mundial, o equivalente a esse volume
Stripe, 2025
Estamos falando de uma infraestrutura financeira que participa de uma parcela expressiva da economia digital. E essa mesma empresa começou a desenvolver tecnologias voltadas para uma nova maneira de realizar transações: pagamentos iniciados por agentes de IA.
Em setembro de 2025, a Stripe anunciou, em parceria com a OpenAI, o Agentic Commerce Protocol (ACP), um padrão aberto criado para facilitar transações comerciais entre empresas, consumidores e agentes de inteligência artificial.
Naquele mesmo período, a empresa passou a viabilizar compras diretamente em conversas com o ChatGPT, inicialmente para consumidores e comerciantes elegíveis nos Estados Unidos.
Poucos meses depois, apresentou o Agentic Commerce Suite, uma solução destinada a facilitar a participação das empresas nesse novo modelo de comércio.
Em 2026, a Stripe avançou também com ferramentas que permitem aos usuários autorizar pagamentos realizados por agentes, sem precisar compartilhar diretamente com eles os dados sensíveis dos cartões.
O Google está seguindo uma direção semelhante com o Universal Commerce Protocol (UCP), lançado em janeiro de 2026 para padronizar a comunicação entre plataformas de IA, comerciantes e provedores de pagamento.
- Set 2025Stripe e OpenAI lançam o Agentic Commerce Protocol
- Dez 2025Stripe lança o Agentic Commerce Suite
- Jan 2026Google lança o Universal Commerce Protocol
- Abr 2026Stripe permite pagamentos feitos por agentes sem compartilhar os dados do cartão
Não é pouca coisa.
Empresas que ajudaram a construir a infraestrutura do comércio digital estão desenvolvendo mecanismos para que sistemas de inteligência artificial possam participar das transações, consultar ofertas e realizar operações com autorização dos consumidores.
É claro que ainda existem desafios importantes, principalmente relacionados à segurança, prevenção de fraudes, responsabilidade e confiança.
Mas a direção desses investimentos merece atenção.
Durante décadas, desenvolvemos experiências de pagamento pensando em pessoas que entrariam em sites e clicariam no botão "Comprar".
Agora, também estamos desenvolvendo formas para que um agente possa iniciar uma compra em nome dessas pessoas.
O interessante é que o consumidor não precisa deixar de comprar. O lojista não precisa deixar de vender. O produto continua o mesmo.
O que pode mudar profundamente é o caminho entre a intenção de compra e a transação.
A nova disputa será pela capacidade de conexão
Durante muito tempo, uma das principais preocupações das empresas no ambiente digital foi aparecer.
Aparecer nas pesquisas do Google, nas redes sociais, nos marketplaces e nos resultados de busca dos consumidores. Investimos em SEO, publicidade, posicionamento de marca e experiências digitais para atrair pessoas até nossos sites.
Essas estratégias continuarão sendo relevantes. Mas pode surgir uma camada adicional nessa disputa: a capacidade de ser encontrado, compreendido e utilizado por agentes de IA.
Pense em uma empresa que oferece agendamentos, por exemplo.
Hoje, ela pode possuir um site onde o cliente consulta os serviços, seleciona um profissional, escolhe um horário e confirma a reserva.
Mas, se o cliente passar a pedir ao agente pessoal que encontre e agende esse atendimento, será importante que as informações estejam acessíveis de maneira confiável. O agente precisará saber quais serviços estão disponíveis, os horários, os preços e quais operações pode executar.
Para isso, não basta que a empresa esteja presente na internet.
Ela precisa pensar em como disponibiliza suas informações e funcionalidades.
No desenvolvimento de software, essa preocupação envolve APIs bem estruturadas, autenticação, controles de acesso, documentação adequada e mecanismos que permitam a integração com diferentes agentes e aplicações.
Padrões como o Model Context Protocol (MCP), desenvolvido para conectar aplicações de IA a ferramentas e fontes de dados, e os protocolos mais recentes de comércio são exemplos de como essa infraestrutura começa a se organizar.
Mas existe um ponto que merece atenção especial: segurança.
Um agente que acessa sistemas em nome de uma pessoa não pode simplesmente receber acesso irrestrito a todas as informações e funcionalidades disponíveis.
É necessário definir quais dados podem ser consultados, quais operações podem ser executadas, como as permissões serão concedidas e revogadas e em quais situações será exigida a aprovação humana.
Pense em um agente autorizado a consultar os indicadores financeiros de uma empresa. Isso não significa que ele também deva conseguir alterar informações bancárias, excluir registros ou acessar dados de outros departamentos.
A arquitetura precisa contemplar essas diferenças desde o início.
O desafio, portanto, não está apenas em conectar sistemas à inteligência artificial. Está em criar conexões confiáveis, com limites definidos, dados consistentes e mecanismos de controle.
Também não significa que toda empresa precise sair desenvolvendo APIs complexas imediatamente. Uma pequena loja e uma grande plataforma de software possuem realidades e necessidades diferentes.
Mas a capacidade de integração não deveria mais ser tratada apenas como um detalhe técnico que será resolvido quando surgir alguma demanda.
Ela começa a ter importância estratégica.
Uma empresa pode investir muito dinheiro para ser encontrada por um consumidor e, ainda assim, perder uma oportunidade porque o agente desse consumidor não consegue consultar suas informações ou realizar a operação necessária.
Não basta ser encontrado. Será cada vez mais importante ser compreendido e estar preparado para operar.
As interfaces não vão desaparecer. Mas seu papel vai mudar.
É importante não confundir essa discussão com uma previsão sobre o fim das interfaces visuais.
Design, usabilidade e experiência do usuário continuam sendo fundamentais. Existem decisões que exigem visualização, análises que ficam muito melhores em gráficos e operações que precisam de acompanhamento humano.
Um dashboard pode continuar sendo a melhor maneira de explorar indicadores, descobrir tendências ou comparar cenários. A diferença é que o usuário talvez não precise mais procurar esse dashboard manualmente para obter uma informação específica.
Ele poderá simplesmente perguntar o que precisa saber e, quando fizer sentido, solicitar ao próprio agente que apresente um gráfico ou abra a visualização correspondente.
O mesmo raciocínio se aplica aos cadastros, consultas e processos operacionais. Se uma pessoa consegue solicitar por texto ou voz que determinado registro seja criado, validado e armazenado, obrigá-la a percorrer uma sequência de formulários pode deixar de ser a melhor experiência possível.
Isso também muda o que significa desenvolver uma aplicação moderna.
Durante anos, investimos em reduzir a quantidade de cliques, simplificar menus, melhorar formulários e facilitar a navegação. E continuaremos fazendo isso para as situações em que uma interface visual for necessária.
Mas uma aplicação preparada para a era dos agentes precisará ir além.
Disponibilizar APIs, facilitar integrações, oferecer mecanismos seguros de acesso às informações e permitir solicitações em linguagem natural, por texto ou voz, pode se tornar tão importante quanto desenvolver boas telas.
Em alguns casos, a própria interface principal poderá estar fora do software.
O usuário conversa com seu assistente, solicita uma tarefa e recebe o resultado. O agente acessa os sistemas necessários, executa as operações autorizadas e apresenta o que foi solicitado.
Isso muda inclusive a maneira como devemos pensar o valor de um produto digital.
Hoje, muitas empresas avaliam a qualidade de seus softwares pela quantidade de funcionalidades disponíveis e pela facilidade com que seus usuários conseguem encontrá-las na interface.
No futuro, talvez uma parte importante dessa avaliação esteja em quantas necessidades o software consegue resolver sem exigir que a pessoa navegue por ele.
O diferencial não estará apenas em oferecer um software fácil de usar, mas em construir um software que o usuário nem precise abrir para conseguir o que deseja.
E isso não diminui a importância de uma boa engenharia. Pelo contrário.
Quanto menos o usuário participa diretamente da execução, mais precisamos confiar que o sistema está realizando as operações corretamente, respeitando suas permissões e entregando resultados consistentes.
A interface pode se tornar menos presente em determinadas tarefas, mas a responsabilidade sobre o funcionamento do software continua inteira.
E se o seu concorrente estiver se preparando para um cliente que você ainda não enxerga?
Ainda estamos longe de um cenário em que todos tenham agentes pessoais capazes de operar livremente qualquer serviço digital.
Existem limitações técnicas, questões de privacidade, desafios de segurança e decisões importantes sobre o nível de autonomia que esses agentes devem receber.
Também não sabemos exatamente como será a adoção dessas tecnologias ou quais padrões prevalecerão.
Mas já existem sinais concretos de que a indústria está se preparando para novas formas de interação entre pessoas, agentes e sistemas.
E esse movimento merece entrar nas discussões de quem toma decisões sobre tecnologia.
Se você desenvolve software, vale analisar quanto da sua aplicação depende exclusivamente da interação com uma interface visual. Suas funcionalidades estão acessíveis de maneira estruturada? Um agente autorizado conseguiria consultar informações ou executar tarefas sem precisar navegar por todas as telas?
Se você comercializa produtos ou serviços, pense em como um agente encontraria sua oferta. Ele conseguiria compreender seus preços, consultar disponibilidade, conhecer as condições comerciais e iniciar uma operação?
E, se você lidera uma empresa, talvez a pergunta seja ainda mais ampla: sua tecnologia está sendo planejada apenas para a maneira como as pessoas trabalham e consomem hoje?
01
Quem desenvolve software
Um agente autorizado conseguiria usar sua aplicação sem navegar pelas telas?
02
Quem vende produtos ou serviços
Um agente conseguiria entender sua oferta e iniciar uma compra?
03
Quem lidera uma empresa
Sua tecnologia está planejada só para o jeito como as pessoas trabalham hoje?
No artigo O próximo inverno da IA, discuti o risco de empresas adotarem inteligência artificial sem repensar seus processos. A consequência pode ser uma tecnologia cara operando sobre problemas antigos, sem gerar os resultados esperados.
Aqui, a reflexão segue uma lógica semelhante.
Não basta colocar IA dentro de um software e continuar construindo todas as operações como se elas necessariamente dependessem de alguém sentado diante de uma tela.
É preciso considerar que parte dessas operações poderá ser realizada por agentes, que precisarão de acesso confiável às funcionalidades dos sistemas.
O objetivo não é retirar as pessoas das decisões, mas permitir que deixem de gastar tempo com caminhos operacionais desnecessários.
No fundo, um cliente não entra em um software porque gosta de preencher formulários. Ele entra porque precisa cadastrar uma informação, consultar um resultado, concluir uma operação ou resolver algum problema.
Durante décadas, construímos interfaces cada vez melhores para ajudá-lo a fazer isso.
Agora, começamos a ter tecnologia para que, em determinadas situações, ele possa simplesmente pedir o resultado.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das mudanças mais importantes para o futuro do software.
Porque, enquanto algumas empresas continuarão disputando quem tem a interface mais bonita, outras estarão trabalhando para que seus produtos sejam encontrados, compreendidos e utilizados pelos agentes que representam seus clientes.
No futuro, o maior problema de uma empresa pode não ser ter um site feio. Pode ser ter um site maravilhoso que só um humano consegue utilizar.
Fontes
- Andreessen Horowitz, Is Software Losing Its Head? (abre em nova aba), maio de 2026
- Matt Webb, Headless Everything for Personal AI (abre em nova aba), abril de 2026
- Stripe, Carta anual de 2025 (abre em nova aba), publicada em fevereiro de 2026
- Stripe, Stripe powers Instant Checkout in ChatGPT and releases Agentic Commerce Protocol (abre em nova aba), setembro de 2025
- Stripe, Agentic Commerce Suite (abre em nova aba), dezembro de 2025
- Stripe, Giving Agents the Ability to Pay (abre em nova aba), abril de 2026
- Google, Universal Commerce Protocol (abre em nova aba), janeiro de 2026
- Model Context Protocol, MCP Apps (abre em nova aba), janeiro de 2026
- Instinct, Site oficial (abre em nova aba)
- Grok Bot, Documentação oficial (abre em nova aba)
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Quem escreveu
Lediane Anjos
Founder da Tecnologizando. Passou pelo Itaú Unibanco, pelo Santander e pelo setor público, e criou do zero a área de Desenvolvimento e Inovação da Innova.
